Junho | 2026

Mantenha-se jovem: trabalhe!

Sidney Fernandes

1948@uol.com.br

Parte 3

 

No livro O Muro dos 80 Anos, Hideki Wada, renomado psiquiatra, escritor e crítico japonês, tem um foco especial na saúde mental da terceira idade e no processo de envelhecimento, e costuma desafiar as normas tradicionais de saúde. Entre os mais de 40 conselhos dirigidos aos idosos, destaca-se este desafiador imperativo: mantenha-se jovem!

“Exercite-se o suficiente para evitar rigidez — Mantenha-se flexível, mantenha-se jovem.”[1]

Na questão 675, de O Livro dos Espíritos,[2] encontramos revelador texto que nos induz a seguir o conselho do psiquiatra japonês: “O Espírito trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.”

Emmanuel acrescenta que o Criador concede a todos os seres a bênção do trabalho como serviço edificante, antídoto contra a ociosidade que corrói o corpo e a alma. O repouso excessivo, assim como o sedentarismo, é ferrugem na enxada: inutiliza o instrumento e abre espaço para o joio prejudicial.

A rigidez do corpo é reflexo da inércia do Espírito. Assim como o exercício preserva a flexibilidade física e retarda o envelhecimento, a ação constante em favor do bem mantém a alma desperta e rejuvenescida. Aquele que se movimenta, servindo, transforma a mágoa em utilidade, a calúnia em louvor, a dor em aprendizado. O trabalho, aliado ao exercício físico, é bênção que favorece tanto a saúde do corpo quanto o equilíbrio do Espírito.

Muitos, iludidos pelo comodismo, acreditam que a felicidade se alcança na ausência de esforço. Engano profundo! A vida pede movimento, e o movimento, quando voltado ao bem, fortalece músculos e virtudes, afasta a tristeza e convida ao progresso.

O Espírito que se recusa a agir enreda-se na própria sombra, enquanto aquele que age encontra a serenidade e a alegria de viver.

Chegar ao final da existência com as mãos vazias é uma das mais dolorosas constatações da alma. Dizer para si mesmo: “Nada fiz. Passei pela vida sem deixar marcas, desperdicei minha oportunidade...”, é  como reconhecer que a jornada reencarnatória foi em vão. Não deixemos, porém, que as coisas cheguem a esse ponto. A vida nos foi concedida como campo de aprendizado e realização, e cada dia deve ser aproveitado com coragem, trabalho e amor.

(...) a ação constante em favor do bem mantém a alma desperta e rejuvenescida

O verdadeiro fracasso não está em ter vivido pouco, mas em ter vivido mal. Como lembra a sabedoria antiga, não nos cabe preocupar-nos com a duração dos dias, mas, sim, com a sua qualidade. Assim, que possamos agir durante a encarnação de modo a, no instante derradeiro, termos condições de afirmar: “Foram anos preciosos. Minha vida foi boa e consegui trilhar os caminhos que me competiam.”

Não é a quantidade de anos que define nossa existência, mas o que fazemos com eles. Pior do que morrer cedo é chegar ao fim da vida e constatar que nada fez. Que saibamos viver de tal modo que, no instante derradeiro, possamos afirmar: “Valeu a pena, cumpri meu caminho!”

 

  1. WADA, Hideki. O Muro dos 80 Anos. 1.ed. 2022. Editora Gentosha.
  2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4.ed. FEB, 2018. Questão 676.

 

- Nota da Redação: Este artigo integra a série “Ame e Ame-se! Um roteiro de felicidade à luz do Espiritismo”, composta por textos sequenciais que serão publicados nesta coluna de abril de 2026 a dezembro de 2028.

 

O autor é orador e escritor espírita, diretor e colaborador do CEAC de Bauru, SP. Publicou, entre outros, "A irresistível força do amor" (Ed. O Clarim).

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