
Conflitos e obsessões coletivas
Ailton Barcelos da Costa
ailton.barcellos@gmail.com
O processo evolutivo da humanidade vem sendo conquistado duramente, uma vez que pouco se avançou desde a nossa vivência pelos instintos
Na atualidade, conforme Manoel Philomeno de Miranda em Mediunidade: Desafios e Bênçãos, apresentam-se de maneira volumosa os conflitos humanos de caráter coletivo, como as guerras entre países, guerras civis, revoluções e golpes de Estado, certamente influenciados pelas obsessões coletivas. De fato, as guerras e conflitos, somente neste início de século, já mataram pelo menos cinco milhões de pessoas, segundo estimativas de pesquisadores.
Ao longo da História da nossa civilização, de acordo com Perturbações Espirituais, transcorridos mais de 6.600 anos de sofisticada cultura, foram mais de 15 mil guerras travadas, sendo que 80% delas possuíram raízes religiosas, como muitas ainda as têm na atualidade.
Nesse período, para Mediunidade: Desafios e Bênçãos, o mundo tem sido governado mais por militares do que por poetas, filósofos e humanistas, demonstrando a predominância da força bruta sobre a grandeza do Espírito e seus valores éticos. Para a mesma obra, o processo evolutivo da humanidade vem sendo conquistado duramente, uma vez que pouco se avançou desde a nossa vivência pelos instintos, a ponto de não utilizarmos ainda completamente a lógica e o raciocínio, demonstrando que, como ser coletivo, somos ainda assinalados pelo egoísmo, deixando de lado a solidariedade, que sustenta as vidas no grupo social, o que o afasta do seu próximo mais próximo, mesmo dentro do lar.
Quando se fala da obsessão como um mal coletivo, as dívidas do passado, os crimes e os delitos não são realizados apenas por um indivíduo, mas cometidos coletivamente. Dessa maneira, de acordo com a Revista Espírita de abril de 1862, a obsessão coletiva exige considerações de certa amplitude, mostrando semelhança com as obsessões individuais. Para a mesma publicação, aquilo que um Espírito pode fazer a uma criatura, vários deles o podem sobre diversas simultaneamente.

Tais obsessores, de acordo com O Livro dos Espíritos, procuram influenciar os líderes e comandantes para provocarem as guerras, tanto antes como durante os combates, pois são eles os interessados em espalhar a discórdia e a destruição
Para a obra Perturbações Espirituais, legiões de Espíritos oriundos das trevas vêm crescendo dia após dia e frequentemente atacam a sociedade terrena, impondo o medo, especialmente nos períodos de acontecimentos funestos, quando se utilizam dos conflitos gerais para imiscuir-se na população e gerar mais terríveis sofrimentos, como o medo constante de uma guerra generalizada numa região do planeta ou continente, ou mesmo a ameaça constante de uma Terceira Guerra Mundial, que a qualquer momento levaria a uma guerra nuclear, com fim da raça humana. Ainda para a mesma obra:
“Estes Espíritos desempenharam papel relevante durante o nazismo, especialmente no que se refere ao holocausto judaico, e agora terçam armas e atacam frontalmente o Mestre nas células espíritas, de modo que muitos danos levem à desistência os convidados para o banquete da Era Nova” (FRANCO, 2015, p. 23).
Tais obsessores, de acordo com O Livro dos Espíritos, procuram influenciar os líderes e comandantes para provocarem as guerras, tanto antes como durante os combates, pois são eles os interessados em espalhar a discórdia e a destruição. De forma complementar, Perturbações Espirituais diz que os obsessores inspiram ondas de terrorismo, de guerrilhas e de guerras que gostariam de vê-las dominando a Terra, como vem ocorrendo e como se apresenta em ameaça tormentosa, tanto no oriente como no ocidente.
Nos momentos da atualidade, às vésperas da Quarta Revolução Industrial, em que cada vez mais a alta tecnologia é utilizada no nosso cotidiano para nos trazer tantas facilidades, é certamente instrumento ao alcance desses mestres da obsessão, a inspirar que imagens horrendas e ameaças causem mais pânico entre as populações. A exposição cada vez mais massiva a imagens e ameaças chocantes acaba por provocar traumas coletivos, como ansiedade, pânico ou até transtorno de estresse pós-traumático, facilitando a abertura de brechas mentais à influenciação sutil, que pode levar a qualquer tipo de obsessão ou mesmo à obsessão coletiva.
Porém, a obra Perturbações Espirituais nos diz que os benfeitores da humanidade procuram nos auxiliar, intervindo antes que a onda de crueldade possa atingir níveis jamais alcançados. Na mesma obra, informam-nos os mentores espirituais que poderemos ainda verter muito pranto antes que as nuvens carregadas de rancor cedam lugar ao sol da fraternidade.
A espiritualidade vem trabalhando com carinho e sacrifício para nos amparar nos momentos mais perversos da luta por que passa a humanidade, reencarnando em massa de regiões sublimes para auxiliar a todos nós nestes graves episódios que enfrentamos.
- FRANCO, D. P. Mediunidade: Desafios e Bênçãos. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2012.
- Idem. Perturbações Espirituais. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 1.ed. Salvador: LEAL, 2015.
- KARDEC, A. Revista Espírita. Ano 5, n. 4, abr. 1862, Epidemia demoníaca na Saboia. Trad. Evandro N. Bezerra. 1.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
- Idem. O Livro dos Espíritos. Trad. Salvador Gentile. 178.ed. Araras: IDE, 2008.
O autor é Doutor em Educação Especial pela UFSCar, médium e palestrante espírita em São Carlos, SP. Autor do livro "Obsessão em tempos de transição" (Ed. O Clarim).
fevereiro | 2025
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