Para onde a humanidade caminha?
Eriberto Kotelak
nepompmpr@gmail.com
O excesso de tecnologia, o afastamento da religiosidade, a crise da família e os desafios da alimentação são sinais de que precisamos reencontrar o equilíbrio
Vivemos uma era de profundas transformações e o avanço tecnológico tem alcançado dimensões que, há poucas décadas, seriam inimagináveis. Hoje, vemos crianças ainda em seus primeiros anos de vida manuseando celulares, tablets e computadores com destreza, como se já viessem programadas para isso. A tecnologia, que deveria ser um recurso para facilitar a vida e auxiliar no progresso, tornou-se, para muitos, uma muleta, da qual já não conseguem mais se separar.
As redes sociais e a internet se transformaram em extensões da própria identidade humana. Pessoas de todas as idades se conectam mais às telas do que umas às outras. A comunicação direta, o olhar sincero, o diálogo em profundidade e a convivência familiar estão sendo gradativamente substituídos por mensagens instantâneas e contatos superficiais. O resultado é um mundo cada vez mais conectado virtualmente, mas, paradoxalmente, mais distante no campo dos sentimentos.
No campo da educação, observa-se outra preocupação. Os métodos de ensino, em grande parte, já não acompanham a velocidade da mente contemporânea. Muitos jovens se mostram desinteressados em aprender, pois se acostumaram a obter respostas imediatas em motores de busca. A paciência para o estudo, a dedicação aos livros e o esforço pelo conhecimento sólido têm-se tornado raridades. O perigo é que, sem o verdadeiro aprendizado, as gerações futuras possam transformar-se apenas em reprodutoras de informações, mas não criadoras de sabedoria.
Outro ponto alarmante é a produção de alimentos. Poucas pessoas querem trabalhar nas plantações, e a mecanização, embora eficiente, não supre a necessidade de mãos dedicadas ao cultivo. O caminho que se desenha é o da substituição do alimento natural por suplementos, cápsulas e comprimidos de vitaminas. O corpo humano, no entanto, foi criado para nutrir-se da terra, dos frutos e dos cereais. A ausência de alimentos vivos pode trazer consequências sérias para a saúde física e espiritual, pois não há apenas nutrientes na comida, mas também energias sutis que nos ligam à natureza e ao Criador.
Muitos acreditam em um ser superior, mas não buscam compreender quem é Deus, ou, como melhor pergunta o Espiritismo, o que é Deus
No campo da religiosidade, assistimos a um afastamento gradativo. Muitos acreditam em um ser superior, mas não buscam compreender quem é Deus, ou, como melhor pergunta o Espiritismo, o que é Deus. O conceito de fé foi, em grande parte, reduzido a tradições e rituais, quando deveria ser uma experiência viva, interior, de confiança e entrega. Infelizmente, até mesmo entre os líderes religiosos há confusão, pois muitos não conseguem explicar, de forma clara e amorosa, os atributos divinos.
A família, célula fundamental da sociedade, também atravessa mudanças significativas. O casamento, antes visto como união para a formação do lar, está virando raridade. Muitos casais preferem manter a liberdade individual, em detrimento da construção conjunta. Embora seja natural que as relações humanas evoluam, não se pode esquecer que a verdadeira liberdade não está na ausência de compromisso, mas na maturidade de conviver, crescer e aprender com o outro.
Diante de tudo isso, precisamos refletir: para onde a humanidade caminha?
Do ponto de vista espírita, sabemos que a Terra passa por um período de transição. Está deixando de ser um mundo de provas e expiações para tornar-se um mundo de regeneração. Este processo exige sacrifícios, mudanças, dores e inquietações. Mas é também uma oportunidade divina de crescimento. O excesso de tecnologia, o afastamento da religiosidade, a crise da família e os desafios da alimentação são sinais de que precisamos reencontrar o equilíbrio.
Kardec nos lembra que o progresso é lei da Natureza e todos os homens têm de marchar para a perfeição (O Livro dos Espíritos, questão 778). Isso significa que, por mais que a humanidade enfrente dificuldades, a marcha evolutiva não pode ser detida.
Chico Xavier, em mensagem psicografada de Emmanuel, afirma: “A Terra não está condenada à destruição. Está destinada à regeneração, e cada consciência é chamada a cooperar nesse trabalho divino.” (XAVIER, C. A Caminho da Luz.)
O futuro não está perdido. Pelo contrário, depende de nós. Se soubermos usar a tecnologia com sabedoria, ela será uma aliada. Se resgatarmos o valor da educação, formaremos consciências libertas e criativas. Se cuidarmos da terra e dos alimentos, preservaremos nossa saúde e nossa espiritualidade. Se cultivarmos a fé verdadeira, encontraremos em Deus a força que o mundo não pode oferecer. E se compreendermos o valor da família, construiremos bases sólidas para as próximas gerações.
O destino da humanidade é a luz, mas o caminho até ela exige responsabilidade, fé e ação. Que cada um de nós seja um trabalhador desse novo tempo, sem esquecer que a verdadeira evolução começa dentro de nós mesmos.
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB.
- Idem. A Gênese. FEB.
- XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel. FEB.
O autor é escritor e articulista espírita.
março | 2026
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