Agosto | 2019

O lar e a casa espírita

Waldehir Bezerra de Almeida

waldehir.almeida@gmail.com

O centro espírita é o oásis onde paramos para dessedentar o Espírito; nele usufruímos as benesses divinas

 

O lar poderá ser, se assim desejarmos, um templo, um santuário, um espaço sagrado, onde realizamos a nossa fusão com a esfera superior, pois é constituído de almas que o Criador uniu para uma finalidade, não somente social mas, antes de tudo espiritual, visando ao progresso comum dos que o constituem. No lar nos esforçamos para exercitar a benevolência, a indulgência e o perdão com aqueles que compõem a família.

No culto semanal do Evangelho buscamos a convivência mais próxima com as entidades amigas que nos tutelam na luta redentora. Da nossa despensa poderá sair a ajuda que a miséria material nos solicita; da nossa bolsa sairão recursos financeiros que sustentarão a atuação beneficente de instituições caritativas...

Nessa linha de raciocínio podemos comparar nosso lar com o centro espírita.

O centro espírita é o oásis onde paramos para dessedentar o Espírito; nele usufruímos as benesses divinas. É o nosso segundo lar. É ele excelente campo vibracional, onde uma família espiritual se constitui a partir da similitude das tendências morais e de ideais, unida por um liame poderoso que é o amor fraterno.

Tanto no centro como no lar se dá o reencontro daqueles que têm ansiedade em reconquistar os desafetos e reparar-se com eles; dos que desejam reconstruir o que destruíram em vidas passadas; dos que almejam amar a todos fraternalmente, porque acreditam que a família não se circunscreve às quatro paredes do nosso ambiente doméstico.

Emmanuel nos ensina que: “O colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual. Em seus laços reúnem-se todos aqueles que se comprometeram, no Além, a desenvolver na Terra uma tarefa construtiva de fraternidade real e definitiva.”[1]

E o Espírito Joaquim Aquino, em Dicionário da alma, psicografado por Chico Xavier, ensina que: “Um centro — Templo de corações, à face de Jesus é um lar de almas para as quais são destinadas elevadas tarefas de abnegação e fraternidade, harmonia e luz.”

Podemos concluir, portanto, admitindo que a similitude do lar com o centro espírita é bastante significativa. Tanto o lar quanto o centro têm suas origens no mundo invisível, mas para se manifestarem no mundo visível subordinam-se, fisicamente, às regras do mundo em que vivemos, obedecendo às leis e às condições socioeconômicas onde se instalam: os dois exigem um imóvel que deve ser adquirido e mantido com os recursos financeiros. No caso do lar, amealhados pelo casal. E o centro espírita, a que ou quem cabe a responsabilidade de mantê-lo?

A resposta seria óbvia se o óbvio fosse sempre aceito e compreendido por todos. Por isso é necessário lembrar que a responsabilidade é daqueles que o fundaram e dos que o frequentam e nele encontram a fonte que sacia a sua sede espiritual.

Primeiramente, o cuidado maior é de construí-lo em alicerce de amor fraternal, com argamassa do Evangelho de Jesus, e iluminá-lo com a racionalidade da Codificação Kardequiana, para que o vendaval do personalismo não lhe arranque o telhado da proteção divina, nem o modismo nefasto o transforme em casa de múltiplas funções, menos a de pregar com fidelidade os ensinamentos advindos do Plano Espiritual Superior. Construído dessa forma, faz-se mister, para a consecução dos seus elevados objetivos, mantê-lo em clima de paz, de fraternidade e de fidelidade aos princípios esposados.

A existência e preservação do centro espírita é assunto sério à vista dos reflexos que projeta no movimento espírita e na própria educação do adepto da Doutrina Consoladora. Ele deve ser conservado, reformado, mantido limpo e agradável a todos que o frequentam. A quem cabe pintá-lo, varrê-lo, encerá-lo, ornamentá-lo com flores e toalhas limpas, abastecê-lo com água potável e defendê-lo da depredação e do abandono? E as despesas com água, luz, telefone, imposto predial e serviço de terceiros, quem deve pagá-las? Kardec é bastante objetivo e responde-nos:

“Uma entidade espírita deve prover as suas necessidades: ela deve dividir entre todos suas despesas e nunca lançá-las aos ombros de um só; isto é justo, e não existe neste critério nem exploração nem especulação.”[2]

Assim, cada membro concorrerá de acordo com suas posses. A viúva dará o seu óbolo, o artífice emprestará suas mãos, os mais aquinhoados contribuirão com parcelas mais significativas. Assim como no lar, onde todos procuram conservar o que têm, tornando-o confortável, e acolhedor, também no centro espírita, pois nele nos refugiamos para nos defender dos ataques das sombras; lá permanecemos para nos refazer do desgaste moral e espiritual a que nos submetemos no dia a dia. É no recesso de suas salas que entramos em contato com os Amigos Maiores, rogando-lhes apoio e inspiração para a solução dos problemas que nos afligem...

Cuidemos do centro com muito carinho, pois onde se reúnem almas que se amam ou desejam se amar; que se buscam no apoio recíproco para a realização de obra e da verdade divina; que se afinam por um princípio moral e filosófico e solidarizam-se na colheita do resultado do esforço cooperativo, ali estará uma família, ali estará instituído um lar... O segundo lar de todos nós.

“Um templo espírita, revivendo o Cristianismo, é um lar de esclarecimento e consolo, renovação e solidariedade, em cujo equilíbrio cada coração que lhe compõe a estrutura moral se assemelha à peça viva na sustentação da obra em si. Não bastará frequentar-lhe as reuniões. É preciso auscultar as necessidades dessas mesmas reuniões, oferecendo-lhes solução. Respeitar a orientação da casa, mas também contribuir, de maneira espontânea, com os dirigentes, na extinção de censura e rixas, perturbações e dificuldades, tanto quanto possível, no nascedouro, a fim de que não se convertam em motivos de escândalo”[3] (grifo nosso).

Nada mais triste do que se ver um lar destruído pela incúria de seus componentes; nada mais constrangedor para o movimento espírita assistir a uma de suas casas ser relegada ao abandono pelos seus frequentadores, trabalhadores e dirigentes!

 

  1. XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 29.ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2015. Questão 175.
  2. KARDEC, Allan. Viagem Espírita em 1862. 2.ed. Matão: Casa Editora O Clarim, p. 52.
  3. XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Estude e Viva. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 13.ed. Brasília: FEB. Cap. 39 — Espíritas, meditemos.

setembro | 2019

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