
Saúde mental e afeto
Martha Rios Guimarães
marthinharg@yahoo.com.br
A saúde mental e emocional das crianças é uma preocupação crescente na sociedade atual. Diante dos desafios e pressões enfrentados na infância, é fundamental oferecer ferramentas e abordagens que promovam o equilíbrio e o bem-estar emocional.
Nesse sentido, a Doutrina Espírita, por meio do trabalho de educação espírita infantojuvenil, desempenha um papel significativo, proporcionando base sólida para o desenvolvimento saudável da mente e das emoções das crianças.
Existem vários motivos para essa contribuição, começando pelo fato de que o Espiritismo reconhece as crianças como seres espirituais em evolução, com uma essência imortal. Esta perspectiva as ajuda a compreender que a vida vai além das experiências materiais, promovendo um senso de propósito e conexão com algo maior.
A educação espírita voltada aos mais novos também enfatiza a importância de princípios éticos e morais, como amor, verdade, justiça e solidariedade. Ao aprender e praticar esses valores, as crianças desenvolvem uma consciência moral e um senso de responsabilidade para com os outros e o mundo ao seu redor. Esta base ética as auxilia a tomar decisões conscientes e a cultivar relacionamentos positivos — inclusive no próprio centro espírita.
Outro ponto que colabora com a saúde mental vem do estímulo a se conhecerem melhor, desenvolvendo habilidades e talentos únicos, e da prática da prece como uma das formas de cultivar a calma interior, reduzir o estresse e fortalecer a resiliência emocional.
Compreender a lei de causa e efeito também é muito importante, ajudando os menores a perceber que suas ações têm consequências, incentivando-as a tomar decisões responsáveis e conscientes.
Além disso, a educação espírita infantojuvenil oferece uma base para encontrarem conforto e esperança em momentos de adversidades, auxiliando-os a lidar com os desafios de maneira mais positiva e construtiva. Até mesmo a convivência com os amigos e com os educadores espíritas, construindo relacionamentos positivos, influencia o bem-estar do público infantojuvenil, que passa a contar com pessoas de sua confiança para desabafar e buscar apoio em momentos sensíveis.
Pelos motivos aqui expostos, fica claro que o conhecimento espírita tem papel relevante na promoção da saúde mental e emocional das crianças, fornecendo ferramentas para que os menores possam fazer escolhas melhores e, assim, ter uma jornada mais equilibrada e feliz. São capazes de enfrentar momentos de adversidade com mais tranquilidade.
Mas, para isso, é necessário que o trabalho infantojuvenil seja planejado cuidadosamente e que a equipe esteja preparada para oferecer os ensinamentos espíritas e acolher os pequenos, sempre que eles precisarem de nosso apoio. Ou, ainda, buscar ajuda de outros profissionais, caso os educadores espíritas entendam que não têm capacidade de atender adequadamente a determinadas situações.
Em outras palavras, é preciso que a equipe de tarefeiros estude continuamente os princípios doutrinários e se mantenha atualizada em relação a temas importantes (como a saúde mental, citada aqui). Também é desejável que tenha uma rede de contatos com profissionais de áreas variadas, que possam ser acionados em caso de necessidades específicas, e igualmente essencial é manter proximidade com os pais e responsáveis, coletando informações sobre cada educando, conversando com eles sempre que identificada alguma mudança na criança ou, simplesmente, ouvindo-os.
Quando aceitamos atuar na infância espírita temos duas escolhas. A primeira delas é estar presente na casa espírita e cumprir a tarefa de forma correta, sem grandes envolvimentos. A outra é ir além, sendo companheiros de caminhada das crianças que chegam até nós e construindo laços verdadeiros de amizade e afeto.
Esta segunda opção exige mais do nosso tempo e empenho, dá mais trabalho e, por vezes, nos coloca diante de situações complexas. No entanto, proporciona um resultado muito mais profundo. Mais do que alguém que ensina a mensagem espírita aos educandos, nos transformamos em amigos prontos para ouvir, acolher, secar lágrimas ou sorrir com eles.
Eu escolhi a segunda opção e, até hoje, só tenho motivos para comemorar essa decisão.
fevereiro | 2024
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